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Anauê: Visita técnica à Reserva da Guarita aproximou equipe da vivência indígena PDF Imprimir
Qui, 24 de Maio de 2012 01:30
Alunos, professores e técnicos da Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA) que integram a equipe do Programa Anauê visitaram a reserva indígena da Guarita, incrustada entre as cidades de Tenente Portela, Redentora e Erval Seco, no noroeste do estado, nesta quarta-feira 24 de maio. Contatos com as lideranças, professores e familiares serviram para que técnicos, tutores e monitores dos acadêmicos indígenas que ingressaram em 2011 na Instituição conhecessem um pouco da cultura e dos valores vigentes naquela coletividade.

A meta da viagem é buscar subsídios para que os operadores do Programa Anauê possam propor projetos que relacionem a cultura kaingang ao ambiente universitário, fortalecendo assim a inclusão dos acadêmicos. Além das equipes diretamente ligadas aos estudantes kaingangues na UNIPAMPA, representantes das pró-reitorias de Graduação (PROGRAD) e de Assuntos Estudantis e Comunitários (PRAEC).

Decisão comunitária

O encontro se deu na Escola Estadual Indígena de Ensino Fundamental Gomercindo Jete Tenh Ribeiro, no setor Km 10 da Reserva da Guarita, a maior terra indígena no Rio Grande do Sul (mede pouco menos de 24 mil hectares de área), às 8h54. Recebida pela direção da escola e por alguns dos familiares dos alunos indígenas, a equipe técnica aguardou a chegada do cacique Valdonês Joaquim, líder da reserva. Após as apresentações e saudações, a reunião iniciou com uma fala do cacique Valdonês sobre as expectativas da comunidade em relação ao Programa Anauê e à formação dos acadêmicos vindos da reserva, mais especificamente a respeito do retorno deles como profissionais dispostos a contribuir para o desenvolvimento da coletividade.

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Em um discurso no qual diversos tópicos remeteram à história do índio no Brasil, como o deslocamento para reservas, as diferentes presenças dos governos na vida indígena e as dificuldades vividas no presente em uma sociedade competitiva, o líder explicou que a comunidade deposita muitas expectativas na volta dos jovens que foram estudar na universidade, querendo contar com membros especializados em áreas que ajudem os indígenas a melhorar suas próprias condições, dentro das regras atuais para participação e busca de apoios na sociedade em geral.

O funcionário da escola, Osmar Maurício, completou a explanação reforçando o forte vínculo comunal dos kaingangues, a valorização dos idosos e da família e da coletividade – um elo tão presente que faz com que a distância e a saudade sejam sentidas muito intensamente por pais e filhos, e que influencia decisões como a escolha da profissão. Segundo ele, diferente dos brancos, que escolhem o que querem fazer de forma particular, individual, entre os kaingangues a decisão é comunitária, tem em vista as demandas da comunidade.

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O professor Jairo Oliveira, representando a PRAEC junto com a assistente social Tatiane Maciel, observou que é preciso também levar em conta que a graduação depende do comprometimento que o aluno tem com o curso: se gosta da área, ou se enxerga oportunidades nela, o importante é que haja investimento pessoal no percurso acadêmico. Uma proposta feita na reunião é que se prepare uma espécie de feira de profissões, com o intuito de expor às lideranças, e também aos jovens kaingangues, a variedade de cursos que a UNIPAMPA oferece, em uma tentativa de conjugar a visão tradicional da escolha comunal com o conhecimento de outras áreas em que a formação contribua para melhorar a vida na reserva – e, ao mesmo tempo, permitir que os jovens vislumbrem outras possibilidades.

Outros momentos da reunião incluíram as falas dos acadêmicos sobre a experiência do primeiro semestre em uma universidade, nas quais expuseram alegrias, dificuldades e opiniões sobre o programa Anauê. Um esclarecimento importante foi feito pela técnica em assuntos educacionais Cláudia Garrido, representante da PROGRAD, a respeito da greve dos docentes e do efeito dessa circunstância no acompanhamento dos acadêmicos. Segundo ela, os alunos indígenas não estão liberados para retornar à reserva durante a greve. Eles permanecerão na reserva da Guarita até o final de maio, período no qual as equipes vão organizar atividades para a continuidade do processo inclusivo dos indígenas.

Conversas e experiências

Após a reunião com a presença das lideranças, cada equipe de campus, constituída pelos docentes tutores, alunos monitores e técnicos dos Núcleos de Desenvolvimento Educacional (NuDE) conversou com os alunos indígenas e seus familiares a respeito desses meses de vivência no ambiente universitário. Como os kaingangues são muito ligados às raízes familiares e comunitárias, a saudade foi o tema predominante.

No retorno do almoço, a assistente social Tatiane Maciel conduziu uma dinâmica com os acadêmicos, atividade seguida por uma conversa com o professor kaingangue José Robério Salles Ribeiro, que compartilhou com os sete acadêmicos indígenas da UNIPAMPA, familiares e servidores da Instituição a sua trajetória como estudante indígena no Ensino Superior. José Ribeiro falou das diferenças educacionais, de saudade, de dificuldades materiais e do gosto de retornar com conhecimento útil para a sua comunidade de origem, reforçando o traço cultural da etnia em relação à vida em coletividade.

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O dia de contato com as famílias e lideranças indígenas da Reserva da Guarita foi concluído com uma visita a um outro setor da terra indígena, no qual funciona a Escola Estadual Indígena de Ensino Fundamental Davi Rygjo Fernandes. Mais diferenças surgiram: enquanto os mais idosos receiavam um pouco as máquinas fotográficas, quase todas as crianças na faixa de cinco anos se aproximavam sorridentes, mesmo não sabendo ainda, em geral, o mínimo do idioma português.

Agenda

O último dia de visita técnica começa cedo, com partida às 7h de Tenente Portela rumo à Reserva Indígena da Serrinha, onde moram as famílias de parte dos acadêmicos. Uma rodada de conversas com lideranças, familiares e professores está prevista, bem como uma visita ao Centro Cultural da reserva. A viagem de volta aos campi começa após o almoço e uma reunião de análise sobre o cenário e os encaminhamentos a realizar como consequência dos contatos feitos.

Atualizado às 20h31:A visita à Reserva da Serrinha foi cancelada devido ao mau tempo, que tornou perigosa a passagem pelo trajeto entre Tenente Portela e a terra indígena.

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Heleno Nazário para Assessoria de Comunicação Social
 


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