Ato Público em Defesa da Vida reforça a importância da criação do Hospital Universitário do Pampa
Ocorreu na tarde desta terça-feira, 11, em Uruguaiana, o Ato Público em Defesa da Vida. O evento em apoio à criação do Hospital Universitário do Pampa, no Campus Uruguaiana da Universidade Federal do Pampa (Unipampa), teve início no teatro Rosalina Pandolfo Lisboa.
Antes da abertura, foi exibido um vídeo com relatos de pacientes de Uruguaiana que precisaram se deslocar para fazer tratamentos de saúde em outros municípios, o que seria evitado com a existência de um hospital que atendesse seus casos na cidade. Atualmente, a oferta de serviços de saúde de média e alta complexidade é insuficiente na região da Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul, fazendo com que quem necessite desse tipo de atendimento se desloque a cidades como Santa Maria, Ijuí e Porto Alegre. Após a exibição do vídeo, ocorreu uma apresentação de dança gaúcha com Agnaldo Rezende e Rosa Maria Lopes
Falaram na mesa de abertura a diretora do Campus Uruguaiana, Cheila Stopiglia, o prefeito de Uruguaiana Ronnie Melo, o alcalde de Bella Unión, Uruguai, William Cresseri, a representante dos movimentos sociais e populares de Uruguaiana, Maria Medianeira, o presidente do Conselho Municipal de Saúde de Uruguaiana, Renê Piccoli, o presidente do Conselho Regional de Desenvolvimento (Corede) Fronteira Oeste, Hildebrando Santos, a prefeita de Maçambará, Adriane Schramm, o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Uruguaiana, Olívio Freitas, a vice-reitora da Unipampa, Francéli Brizolla e o vereador de Quaraí e Presidente da União dos Legislativos da Fronteira Oeste (ULFRO), Mário Augusto Teixeira. Todos enalteceram em suas falas a importância da implantação do Hospital Universitário do Pampa.
Na primeira palestra, a ex-diretora do Hospital Universitário de Santa Maria (HUSM), Soeli Teresinha Guerra abordou o tema “Importância dos Hospitais Universitários”. Sua apresentação iniciou com a contextualização do cenário brasileiro dos Hospitais Universitários, passando para iniciativas como o Programa de Reestruturação de Hospitais Universitários Federais (Rehuf) em 2010 e a criação da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), estatal responsável por administrar hospitais universitários vinculados a universidades federais, no ano seguinte. Segundo Soeli, a chegada da Ebserh ao Husm proporcionou incremento nos números de servidores, leitos, internações, consultas e cirurgias, além de oferta de novas especialidades com o ingresso de novos profissionais e de novos exames. Também houve ampliação de vagas em residências médicas e multiprofissionais,
Soeli enfatizou a força de um hospital universitário pelo seu vínculo com o governo federal. Mencionou a universalidade do Sistema Único de Saúde (SUS) e sua defesa, pois o SUS abarca as demandas quando outras instituições falham. Soeli também citou dois pilares estruturantes de um hospital universitário: a linha de cuidado, que deve ser observada desde a atenção primária, e a gestão de oferta para organizar e gerenciar o fluxo de pacientes por diferentes serviços ofertados pelo hospital e assegurar a integralidade do cuidado preconizado pela clínica. Outros tópicos abordados por Soeli foram o consórcio hospitalar da Cataluña, como exemplo de iniciativa bem-sucedida, as dificuldades futuras da assistência hospitalar após as enchentes no Rio Grande do Sul, o reflexo da assistência hospitalar de boa qualidade no ensino, as dificuldade de contratação de médicos especialistas nos municípios que pode ser resolvida com implantação do Hospital Universitário do Pampa, além da “ambulancioterapia”, que também pode ser evitada com a existência do novo hospital.
Também participou da primeira palestra a professora associada do departamento de saúde coletiva da Universidade Federal de Santa Maria, Lisiane Boer Possa. Lisiane falou sobre indicadores que embasam a motivação de criação do Hospital Universitário do Pampa, como as grandes distâncias entre os municípios da região centro-oeste do Rio Grande do Sul, o critério populacional e a baixa quantidade de leitos. A ambulancioterapia do interior para Porto Alegre também foi mencionada por Lisiane, além de questões como a concentração de recursos da saúde em cidades maiores contribuindo para manutenção de desigualdades, impedimento do uso de recursos de custeio por falta de condições técnicas e a falta de consideração às diversidades territoriais por parte de gestores da saúde.
Na segunda palestra, a diretora do Campus Uruguaiana, Cheila Stopiglia, apresentou dados sobre a Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul, seu contexto de empobrecimento, a distribuição de estabelecimentos hospitalares no estado e falou sobre as grandes distâncias que os pacientes da região precisam percorrer para atendimentos de média e alta complexidade em saúde.
Cheila mencionou iniciativas em busca de apoio à construção do Hospital Universitário do Pampa, como visitas à Ebserh e ao Hospital Universitário de Santa Maria (HUSM). O 7º lugar na votação do site Brasil Participativo obtido pela proposta de criação do Hospital Universitário do Pampa também foi destacado por Cheila. A proposição aguarda uma devolutiva do estudo de viabilidade técnica. Em março, o deputado federal Heitor Schuch destinou uma emenda parlamentar de R$ 500.000 para a elaboração do projeto arquitetônico do Hospital Universitário do Pampa.
A diretora do Campus Uruguaiana da Unipampa enfatizou que a atuação do Hospital Universitário do Pampa será paralela e complementar à da Santa Casa de Uruguaiana, hospital onde atualmente os estudantes da área da saúde da Unipampa desenvolvem suas atividades práticas, não havendo nenhum tipo de concorrência também pelo fato dos hospitais terem atribuições diferentes.
No final do evento, Lisiane Boer falou sobre as possibilidades de desenvolvimento econômico geradas pelo Hospital Universitário do Pampa. Soeli Guerra abordou a geração de empregos.
Após o evento no teatro Rosalina Pandolfo Lisboa, foi realizado o ato em defesa do Hospital Universitário do Pampa na Praça do Barão.
A vice-reitora da Unipampa, Francéli Brizolla, comentou sobre o êxito do evento, avaliando como muito positiva a participação da comunidade universitária do Campus Uruguaiana, além de representantes da comunidade em geral. Francéli também destacou a importância do evento para a continuidade do trabalho em prol do Hospital Universitário do Pampa. “Precisamos seguir avançando nas tratativas políticas e também nas de mobilização social e esse evento foi importante para isso”, ressaltou Francéli.
A diretora do Campus Uruguaiana da Unipampa, Cheila Stopiglia, afirma que o evento fortaleceu o projeto do Hospital Universitário do Pampa, possibilitando que os participantes esclarecessem dúvidas e recebessem informações para se tornar multiplicadores da luta. Segundo Cheila, o evento superou as expectativas com a participação da comunidade acadêmica e geral e de lideranças locais, regionais e de países fronteiriços. “O projeto é para a comunidade e é muito importante que a comunidade esteja abraçando a causa e construindo de forma conjunta”, finalizou Cheila.
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